Mercado Empreendedor
Quando o passatempo vira negócio Texto: Eliana Anjos
Imagine passar 12 horas do dia fazendo o que você mais gosta. Agora, multiplique isso por pelo menos seis, às vezes sete, dias da semana. Mãe e filha começaram o negócio investindo R$ 1.000 para fazer as primeiras bijuterias. Hoje faturam mais de R$ 15 mil por mês. Transformar hobby em negócio é coisa séria. Veja por que
A empresária Sandra Gregori, 55 anos, sempre teve habilidade com as mãos. Quando era professora de educação infantil em Bocaina, interior de São Paulo, adorava pintar mesas, cadeiras e enfeitar a sala de aula para os pequenos. Casou, criou as filhas e há sete anos começou a vender bijuterias para passar o tempo. Não gostava muito da combinação das peças e resolveu desmontar colares e pulseiras e incrementar o visual. Com a ajuda da filha Carol Gregori, 30 anos, passava as noites criando novas peças. Resultado? Suas bijuterias fizeram mais sucesso do que as que revendiam.
Hoje, Sandra cria as coleções da grife de bijuterias Carol Gregori. "Nunca sai de nossa mesa uma peça da qual não tenhamos gostado muito", explica Sandra Gregori. O ateliê com cinco funcionárias produz 1.400 peças ao mês, que vão da sofisticação de cristais à simplicidade elegante da resina. O negócio se tornou franquia há dois anos, com quatro lojas funcionando e três em planejamento. Para ser franqueada, é preciso dois requisitos: ser mulher e se dedicar à loja. "O homem inibe o atendimento.
É um negócio para mulher", define Carol Gregori. A rentabilidade média das unidades é de R$ 180 mil ao ano.
Meu hobby, meu trabalho
"Tenho prazer em ver as pessoas jogando em minha casa, em ir às mesas, em poder ensinar os jogos", confidencia a executiva Lucy Raposo, 42 anos, ao falar de seu empreendimento, a Ludus Luderia. Lucy aprendeu a jogar xadrez aos 9 anos com o avô e, desde então, não parou mais. Mal sabia ela que sua paixão por jogos poderia se tornar um grande negócio, pioneiro e lucrativo.
Com algumas pitadas de criatividade e outras tantas de ousadia, a empresária investiu em seu hobby e inovou: criou um cardápio de mais de 500 jogos, principalmente de tabuleiro, entre opções nacionais e internacionais, um serviço de monitores para auxiliar os usuários e, claro, um bar. Enquanto se joga War, pode-se degustar um Resta Um (porção de bolinhos de abóbora).
Em pouco mais de dois anos, Lucy já atende a 2.500 frequentadores por semana, fatura R$ 100 mil mensais, emprega 21 funcionários e quer transformar o negócio em franquia. Ufa!
E ela não está sozinha entre os empreendedores apaixonados pelo que fazem. Embora não haja dados estatísticos que demonstrem quantos negócios nasceram de hobbies, a prática é mais comum do que parece. Aficionados em games que se tornam desenvolvedores de jogos eletrônicos, artesãs que criam confecções, ateliês e franquias, gourmets que se tornam donos de restaurantes. Os exemplos são inúmeros. "As grandes invenções surgem da criatividade, de olhar diferente sobre mesma coisa. Quando se olha o hobby, ele pode não ser só um hobby", explica a pesquisadora do Departamento de Psicologia Social da USP, Lisete Barlach.
"As grandes invenções surgem da criatividade, de olhar diferente sobre mesma coisa. Quando se olha o hobby, ele pode não ser só um hobby", Lisete Barlach, pesquisadora do Departamento de Psicologia Social da USP
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