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História de sucesso

Empreendedorismo jovem: uma estrela entre Bijoux


A brincadeira de vender bijuterias transformou uma universitária de Rádio e TV em empresária e o brilho das peças que produz na estrela de sua marca



Fotos: Divulgação

Ao falar do nascimento de seu negócio, os olhos da jovem pisciana brilham tanto quanto a prata de suas três pulseiras, dos dois pares de brincos, da corrente com seu nome e das pérolas do terço que ela carrega no pescoço. Formada em Rádio e TV, a empresária Fernanda Mion, 25 anos, deixou um mundo de roteiros para criar a sua própria história. Na vitrine, bolsas da Guess dividem espaço com as bijoux e semijoias que cria. Nas portas, há maçanetas cravejadas de pedras swarovski assim como na moldura do espelho postado em frente à porta de vidro da entrada de sua loja. "Tudo o que eu posso colocar um brilhinho, eu coloco", destaca durante a entrevista.

"O meu negócio é vender"

A estrela e o brilho são suas marcas registradas. Esse é o cenário da paulistana que aos 18 anos e com R$2 mil no bolso começou a vender bijuterias compradas na Rua 25 de Março para ocupar o tempo ocioso do primeiro ano de faculdade. A jovem que trocava a Barbie por uma caixa registradora tem cinco lojas, sendo sócia de quatro delas, e produz, em média, 7 mil peças ao mês, que variam de R$15 a R$250 e são distribuídas por todo o país. Seu sonho é ver a marca brilhar na Oscar Freire e em mais 99 pontos do Brasil nos próximos oito anos.

O primeiro feixe de luz

Mulher Executiva - Hoje você cria suas coleções de bijoux e semi-joias, mas quem deu o incentivo para você começar a vender?

Fernanda Mion Eu tinha entre 18 e 19 anos e procurava alguma coisa para fazer. Meu professor da faculdade disse que eu era comunicativa e podia vender alguma coisa para as meninas da faculdade. Então, fui na 25 de Março e comprei algumas coisinhas. Também peguei umas bijuterias que uma amiga da minha mãe fazia. Minhas colegas também começaram a vender e foi no boca-a-boca. A amiga da amiga gostava, pegava para revender, queria comprar. Elas eram consumidoras e vendedoras, e isso foi expandindo.

Quando terminei a faculdade, o negócio já estava engrenado. Um dia, eu estava em uma loja e a gerente me falou que o irmão dela tinha uma fundição e perguntou-me se eu não queria desenvolver minha própria coleção. "Vejo que você quer o produto, mas sempre fala 'se tivesse um brilhinho aqui ia ficar mais bonito!'", ela dizia. Eu via as coisas e queria modificar e, a partir daí, passei a desenvolver minha coleção. No começo, eram só colares e pulseiras.

Mulher Executiva - Por que você escolheu vender bijuterias?

Fernanda Mion Sempre gostei de joia. Minhas avós sempre me presentearam muito com joias. Enquanto a minha prima queria ganhar um brinquedo, eu queria um brinco. Enquanto admiravam outras coisas nas pessoas, eu admirava as joias. Acredito que sempre tive esse olhar. E quanto ao comércio também foi assim. Se não fosse bijuteria, venderia qualquer outra coisa, porque o meu negócio é vender. Vendo tanto bijuterias, como as outras coisas que faço: lustres, a minha maçaneta. É o tino do negócio de vender. E outra coisa, só vendo o que realmente gosto.

Mulher Executiva - Em que momento você percebeu que vender joias poderia ser o negócio da sua vida?

Fernanda Mion Quando comecei a ver o dinheiro. Meu pai me emprestou R$2 mil. Ele falou: "É o que tenho. Eu não posso te emprestar mais. Vai e veja o que você consegue fazer". E comprei tudo em bijuteria. Quando vi que aqueles R$ 2 mil viraram R$4 mil, comecei a reinvestir.

O retorno era muito rápido. Eu saia de manhã para ir para a faculdade com a caixinha cheia de bijuterias e voltava com umas três peças. No outro dia, eu já não levava nada, todo mundo me pedia. Então, eu já corria para a 25 para comprar mais. No dia seguinte, de novo, não voltava nada. Quando meu pai viu que o volume estava crescendo e eu ficando um pouco perdida, pediu para minha mãe trabalhar comigo, porque ela é muito regrada tanto com dinheiro quanto com a casa. Eu pensei: "Eu acredito, e meus pais, mais ainda. Então, vai dar certo".

Mulher Executiva - No início, você vendia, depois começou a produzir. Como você desenvolve as suas coleções?

Fernanda Mion Faço duas por ano: primavera-verão e outono-inverno, mas a cada 15 dias, crio novas peças, porque bijuterias não são como joias, que você compra duas ao ano. As clientes sempre querem novidades. Quando vou viajar, levo muitas revistas e sempre acesso sites de grifes bacanas para saber o que se está usando. E uso todo o tempinho que tenho para criar. Viajo duas vezes por ano para Nova York para trazer novidades e revistas que não tem aqui. A partir das revistas, consigo criar alguma coisa que já existe. Então, faço as modificações. Sabe aquela história de que nada se cria, tudo se copia? No meu caso, nada se cria, tudo se modifica. De uma peça, por exemplo, faço uma pulseira, mas preciso de outra para combinar. A partir de uma peça, crio várias.

Mulher Executiva - Mas é você quem desenha?

Fernanda Mion Não. Explico o que quero para um modelista. Por exemplo, falo que quero um coração no meio, um brilhinho, mas o tino de desenhar eu não tenho. Com 15 anos, prestei vestibular para designer de joias na Santa Marcelina, mas com essa idade você não sabe ainda o que quer. Na inauguração da primeira loja, na Aclimação, há dois anos, a mãe de uma amiga me disse que entrei no carro e falei que queria desenhar joias igual à Tereza Collor. Eu nem me lembrava disso.

Ela também me trouxe flores e escreveu no cartão: "Hoje ninguém sabe que a Tereza Collor faz joias, mas todo mundo sabe que a Fernanda Mion faz bijuteria". Depois, prestei Desenho Industrial na Faap para também fazer designer de joias, só que eu tinha de desenhar muito e estudar outras coisas. Lembro que nessa prova eu tinha de desenhar um bonequinho dentro de uma piscina nadando. Eu olhava na prova do lado e via aquele menininho nadando. No meu era um bonequinho de palitinho de fósforo. Eu não sabia desenhar. Desisti de fazer o curso (risos).

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